Homens também procuram a blefaroplastia quando alterações das pálpebras passam a transmitir uma aparência de cansaço que não corresponde a como se sentem. O caso do Dr. Renato Betti mostra uma motivação bastante comum: bolsas inferiores que o incomodavam e deixavam a impressão de noites mal dormidas.
“Parece que você não dormiu.”
“Está cansado?”
“Virou a noite?”
Para algumas pessoas, ouvir esse tipo de comentário de vez em quando não tem importância.
Porém, quando a aparência cansada se torna permanente — mesmo depois de uma boa noite de sono — o incômodo pode começar a aparecer no espelho, nas fotografias e até em situações profissionais.
Foi justamente uma dessas questões que levou o Dr. Renato Betti, oftalmologista, a realizar seu tratamento.
Ele conta que sempre teve uma bolsa inferior que o incomodava e transmitia aquela sensação de “parece que não dormiu, passou a noite em claro”.
E existe outro aspecto interessante nessa história:
ele é homem, médico e oftalmologista.
Ou seja, dessa vez, estava literalmente do outro lado.
HOMEM PODE FAZER BLEFAROPLASTIA?
Claro.
Ainda existe uma ideia de que tratamentos relacionados à aparência pertencem predominantemente ao universo feminino.
Na prática, homens também podem se incomodar com mudanças das pálpebras e procurar avaliação.
A motivação, inclusive, nem sempre aparece como:
“Quero parecer mais jovem.”
Às vezes, ela vem como:
“Não quero continuar parecendo cansado quando não estou.”
Essa diferença parece pequena, mas ajuda bastante durante a consulta.
Meu objetivo é entender exatamente o que incomoda aquele paciente, em vez de pressupor qual resultado ele deseja.
POR QUE AS BOLSAS INFERIORES PODEM DEIXAR O ROSTO COM APARÊNCIA DE CANSAÇO?
Porque a região inferior dos olhos participa intensamente da maneira como interpretamos uma expressão.
Bolsas palpebrais, sulcos, sombras e alterações da transição entre a pálpebra inferior e a face podem contribuir para uma aparência cansada.
Entretanto, nem tudo que aparece abaixo dos olhos é simplesmente “bolsa”.
Essa distinção importa.
Durante a avaliação, precisamos observar:
- bolsas de gordura;
- excesso ou qualidade da pele;
- sulcos;
- posição da pálpebra inferior;
- frouxidão palpebral;
- região malar;
- volume;
- assimetrias;
- tratamentos realizados anteriormente.
Portanto, dizer “quero tirar minhas bolsas” é apenas o começo da conversa.
A pergunta seguinte é:
o que realmente está produzindo essa aparência?
BLEFAROPLASTIA MASCULINA É DIFERENTE DA FEMININA?
A anatomia individual sempre deve vir antes de uma divisão rígida entre cirurgia masculina e feminina.
Ainda assim, existem características estéticas e anatômicas que precisam ser respeitadas em cada paciente.
Em um homem que procura naturalidade, por exemplo, não faz sentido simplesmente aplicar um modelo padronizado de rejuvenescimento.
Formato dos olhos, posição das sobrancelhas, sulcos, volume, espessura dos tecidos e características individuais entram no planejamento.
Por isso, eu não começo pensando:
“Como deixar esse olhar mais jovem?”
Primeiro penso:
“O que está incomodando este paciente e quais estruturas estão causando isso?”
O CASO DO DR. RENATO: QUANDO O MÉDICO VIRA PACIENTE
Existe uma particularidade interessante nesse caso.
O Dr. Renato é oftalmologista.
Está habituado ao ambiente médico, conhece cirurgia ocular e participa profissionalmente do cuidado de pacientes.
Mas, desta vez, era ele quem estava em recuperação.
No vídeo, ele brinca justamente sobre estar “do outro lado do balcão”.
E relata que escolheu realizar o tratamento porque desejava fazê-lo e porque confiava na equipe envolvida.
Esse ponto é particularmente relevante.
Conhecimento médico não elimina a necessidade de confiança.
Quando o médico vira paciente, continuam existindo expectativas, decisões, pós-operatório e acompanhamento.
BLEFAROPLASTIA DÓI?
A experiência do Dr. Renato foi bastante tranquila.
Ele relata que não sentiu nada que considerasse realmente desconfortável e que não apresentou dor relevante durante sua recuperação.
Mas existe uma distinção que faço questão de deixar clara:
essa foi a experiência dele.
Não seria correto transformar um depoimento individual em promessa de que blefaroplastia “não dói”.
Sensibilidade, extensão do procedimento, técnicas utilizadas, associação com outros tratamentos e características individuais podem influenciar a experiência pós-operatória.
Por isso, prefiro explicar ao paciente o que pode acontecer e como será realizado o acompanhamento, em vez de prometer uma recuperação idêntica à de outra pessoa.
INCHAÇO DEPOIS DA BLEFAROPLASTIA É NORMAL?
Edema — o inchaço — pode fazer parte do pós-operatório.
Equimoses também podem ocorrer.
A intensidade e o tempo de resolução variam entre pacientes.
No acompanhamento mostrado no vídeo, o Dr. Renato ainda apresentava um pouco de edema e estava no momento de retirada dos pontos.
Esse tipo de consulta é importante porque o pós-operatório não termina quando o paciente deixa o centro cirúrgico.
Pelo contrário.
A cirurgia é um evento. A recuperação é um processo.
POR QUE O ACOMPANHAMENTO PÓS-OPERATÓRIO É TÃO IMPORTANTE?
Porque precisamos observar como os tecidos estão evoluindo.
Nas consultas de retorno, a avaliação pode incluir cicatrização, edema, posicionamento palpebral, fechamento dos olhos, superfície ocular e outras características relevantes conforme o procedimento realizado.
Além disso, é o momento de orientar o paciente sobre aquilo que ele está vendo no espelho.
Nos primeiros dias, ainda existe inchaço.
Os tecidos estão cicatrizando.
Portanto, aquela imagem inicial não representa o resultado definitivo.
Isso parece óbvio para o cirurgião.
Para quem está vivendo seu primeiro pós-operatório, nem sempre é.
RESULTADO DE BLEFAROPLASTIA NÃO DEVE SER JULGADO NOS PRIMEIROS DIAS
Esse é um dos erros que mais pode gerar ansiedade.
O paciente opera.
Chega em casa.
No dia seguinte, olha no espelho procurando o resultado.
Porém, naquele momento, o que está vendo é pós-operatório, não resultado final.
Pode existir edema.
Pode haver equimose.
Os dois lados também podem evoluir em ritmos diferentes.
Consequentemente, comparar milimetricamente as pálpebras nos primeiros dias tende a produzir mais ansiedade do que informação útil.
O resultado precisa de tempo.
E QUANDO EXISTEM PROCEDIMENTOS ASSOCIADOS?
No relato do Dr. Renato, a blefaroplastia foi associada a outros tratamentos.
Esse ponto merece cuidado.
A existência de procedimentos combinados em um paciente não significa que todos precisem da mesma combinação.
Blefaroplastia pode ser realizada isoladamente quando essa é a indicação.
Em outros pacientes, características específicas da pele, volume ou de outras estruturas podem justificar tratamentos adicionais.
Portanto:
mais procedimentos não significam automaticamente um resultado melhor.
Cada indicação precisa ter uma razão.
A BLEFAROPLASTIA MASCULINA PRECISA “FEMINIZAR” O OLHAR?
Não.
Esse é um receio que alguns homens podem apresentar.
Naturalidade depende justamente de respeitar as características individuais do paciente.
O objetivo não é encaixar todos em um mesmo padrão de pálpebra.
Muito menos produzir determinado formato porque ele está associado a uma tendência estética.
No homem que deseja preservar suas características, o planejamento deve considerar sua anatomia e seus objetivos.
Rejuvenescer não precisa significar descaracterizar.
“PARECER MENOS CANSADO” É DIFERENTE DE “PARECER OUTRA PESSOA”
Essa distinção resume muito bem o caso.
O Dr. Renato não descreve a motivação como uma busca por transformação radical.
Ele fala sobre uma bolsa inferior que sempre o incomodou e sobre aquela aparência constante de quem não dormiu.
É exatamente por isso que gosto de perguntar durante a consulta:
“O que você gostaria que deixasse de chamar sua atenção quando se olha no espelho?”
A resposta pode ser muito mais útil do que simplesmente perguntar se o paciente quer “rejuvenescer”.
O QUE AVALIAR ANTES DE UMA BLEFAROPLASTIA MASCULINA?
| Ponto da avaliação | Por que importa |
|---|---|
| Queixa principal | Define o que realmente incomoda o paciente |
| Pálpebra superior | Avalia pele, sulco, posição e função |
| Pálpebra inferior | Diferencia bolsas, pele, sulcos e outras alterações |
| Sobrancelhas | Participam da expressão e da relação com a pálpebra superior |
| Superfície ocular | Integra a avaliação funcional |
| Assimetria | Precisa ser identificada antes da cirurgia |
| Tratamentos anteriores | Podem modificar anatomia e planejamento |
| Expectativas | Ajudam a separar melhora possível de promessa irreal |
A partir dessa análise, conseguimos discutir se existe indicação cirúrgica e qual estratégia faz sentido.
O HOMEM NÃO PRECISA JUSTIFICAR POR QUE DECIDIU CUIDAR DA PRÓPRIA APARÊNCIA
Talvez essa seja uma das mensagens mais interessantes desse depoimento.
Durante muito tempo, procedimentos estéticos foram tratados quase exclusivamente como assunto feminino.
Isso vem mudando.
Se uma característica das pálpebras incomoda um homem, ele pode procurar avaliação exatamente como qualquer outra pessoa.
Sem constrangimento.
Sem precisar transformar a decisão em vaidade excessiva.
E sem precisar buscar uma transformação radical.
No caso do Dr. Renato, existia uma característica específica: as bolsas inferiores transmitiam uma aparência cansada que o incomodava.
Ele procurou tratamento.
Passou pela cirurgia.
E agora está vivendo as etapas normais de recuperação e acompanhamento.
Cuidar do olhar não precisa significar mudar quem você é.
Pode significar simplesmente tratar aquilo que há muito tempo não combina com a maneira como você se enxerga.
Dra. Carolina Angeloni
Oftalmologista | Especialista em Cirurgia Plástica Ocular
CRM-MT 5744 | RQE 2874
📍 Cuiabá – MT | Clínica Carolina Angeloni
📍 Cáceres – MT | Oftalmoclin – Clínica de Oftalmologia e Plástica Ocular
FAQ — BLEFAROPLASTIA MASCULINA
1. Homem Pode Fazer Blefaroplastia?
Sim. Homens podem apresentar alterações palpebrais estéticas ou funcionais e procurar avaliação para blefaroplastia quando houver indicação.
2. Bolsa Embaixo Dos Olhos Pode Dar Aparência De Cansaço?
Pode contribuir para essa percepção. Entretanto, sulcos, sombras, pele, volume e outras características também podem participar.
3. Blefaroplastia Masculina Muda O Formato Dos Olhos?
O planejamento não precisa ter como objetivo alterar a identidade do olhar. Anatomia, função e objetivos individuais devem ser considerados.
4. Blefaroplastia Masculina Deixa O Homem Com Aparência Feminina?
Não deveria existir um modelo único aplicado a todos. O planejamento individualizado busca respeitar as características anatômicas e os objetivos de cada paciente.
5. Blefaroplastia Dói?
A experiência varia. No caso relatado pelo Dr. Renato, ele descreveu uma recuperação sem dor ou desconforto relevante, mas isso não constitui garantia de que todos terão a mesma experiência.
6. É Normal Ficar Inchado Depois Da Blefaroplastia?
Edema pode ocorrer no período pós-operatório e tende a evoluir ao longo da recuperação. Sua intensidade varia individualmente.
7. Quando Os Pontos São Retirados?
O momento depende da técnica utilizada, da evolução e da orientação do cirurgião. Portanto, não existe um prazo único aplicável a todos.
8. Posso Avaliar O Resultado Nos Primeiros Dias?
Não é adequado considerar os primeiros dias como resultado definitivo, pois edema e processo de cicatrização ainda estão presentes.
9. Todo Homem Precisa Fazer Laser Junto Com A Blefaroplastia?
Não. Procedimentos complementares devem possuir indicação própria. Blefaroplastia pode ser realizada isoladamente quando isso atende às necessidades do paciente.
10. Como Saber Se Minha Aparência Cansada É Causada Pelas Pálpebras?
Uma avaliação oculoplástica pode identificar quais estruturas contribuem para a aparência percebida e se existe indicação de tratamento.

Dra. Carolina Angeloni é Médica Oftalmologista especialista em Plástica Ocular.
CRM-MT 5744 | RQE 2874
